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16
fev 2012

Folia na Índia

É tempo de Carnaval e bem distante daqui, a diversificada Índia tem traços em comum com a nossa folia, particularmente no estado de Goa. A começar pelo calendário, os festejos também se iniciam no sábado, quarenta dias antes da Páscoa, seguindo a característica da região, de uma das maiores concentrações de cristãos do país.

O sábado de carnaval é o chamado “Sábado Gordo”, em que o Rei Momo marca presença e acontecem desfiles e premiações de roupas e máscaras. Dançar nas ruas da cidade também faz parte das festas goenses, o que é uma influência hindu, religião seguida por pelo menos 80% dos indianos.

Conta-se que escravos dançavam e brincavam de imitar seus proprietários, que jogavam farinha neles para simular a pele branca. A folia na India acontece em Goa desde o século XVIII, como herança cultural dos antigos colonizadores portugueses.

Desfile de Carnaval em Goa

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10
fev 2012

Vulcões Indonésios

A Indonésia desperta curiosidade pela sua cultura, natureza e geografia. E seus vulcões fazem desse país um lugar ainda mais surpreendente. O relevo montanhoso revela alguns deles até mesmo em atividade. O ponto mais alto de Bali por exemplo é formado por uma região vulcânica, onde se localiza o Monte Gunung Agung.

Os vulcões tornam o solo rico em nutrientes e sais minerais, o que faz dessas terras excelentes locais para o cultivo do arroz, formando na mais famosa ilha do país os admirados arrozais, que já foram tema aqui no blog. Por vezes, as erupções atrapalham os voos locais, como aconteceu no ano passado, no Monte Bromo, na ilha de Java, onde se localiza a capital Jacarta. Ou por outras, a liberação das lavas causam mortes como em 1963, no Gunung Agung.

Apesar dos desastres naturais, vulcões tem um simbolismo para indonésios e turistas como aqueles que trazem esperança de dias melhores. Peregrinos se aventuram em rituais na região do Bromo, levam oferendas e acreditam na renovação refletida num lugar marcante e misterioso.

Monte Bromo - Indonésia

Peregrinos no Monte Bromo - Indonésia

Peregrinos no Monte Bromo - Indonésia

 

 

05
fev 2012

O exemplo de Gandhi

Mesmo passados 64 anos de seu assassinato, ainda está vivo para a humanidade o exemplo de coragem e bondade na figura de Mahatma Gandhi. O aniversário de morte do líder indiano, no último dia 30 de janeiro, foi lembrado com uma marcha em Calcutá, na Índia, que reuniu 485 crianças, alcançando o recorde mundial como a maior reunião de pessoas vestidas como Gandhi.

Apesar de chamar-se Mohandas Gandhi, era conhecido como Mahatma, que significa grande alma. Formado em Direito e natural da cidade de Porbandar, na Índia Ocidental, liderou o movimento de independência do país, concedida em 1947, após séculos de dominação européia. Gandhi ficou conhecido por não adotar a violência como forma de protesto, tanto na luta pela libertação da Índia, como contra o Apartheid na África do Sul, onde viveu por 20 anos.

Mahatma acreditava no fim de divergências internas entre hindus e muçulmanos e lutava para que buscassem juntos a independência. Suas políticas e pensamentos conquistaram admiradores por todo o mundo e inspiram até hoje movimentos pacifistas. Embora fosse contrário, não conseguiu evitar a divisão da Índia em duas nações: a Índia propriamente dita, de maioria hindu, e o Paquistão, onde predominam muçulmanos.

O líder protestava com jejum contra violências praticadas por indianos e paquistaneses, quando foi morto a tiros em Nova Délhi por um hindu radical, aos 78 anos de idade, em 30 de janeiro de 1948. Fica aqui a homenagem do Blog Balisun a este ícone da história mundial.

“Os fracos nunca podem perdoar, o perdão é atributo dos fortes.”

Mahatma Gandhi.

05
fev 2012

Arrozais de Bali

A beleza geométrica e o verde cinematográfico das plantações de arroz em Bali, na Indonésia, são uma verdadeira obra de arte. Turistas de todo mundo se encantam com os arrozais, cultivados em forma de terraço para que todo o terreno possa ser irrigado naturalmente, do topo à base. O arroz é um dos centros da cultura da ilha e há séculos movimenta a economia local. Quase um milhão de tonelada de grãos é exportada anualmente.

Este cereal tem presença marcante no cardápio balinês, sendo servido frito ou cozido a vapor, acompanhado de verduras, carne ou peixe. Tal como em outros países asiáticos, uma refeição somente é assim considerada com a presença do arroz. Além disso, especiarias e temperos picantes dão o toque ao prato.

Acredita-se que a alma de Dewi Sri, a Deusa do Arroz, fortalece as folhas dos arrozais, fazendo com que seus terraços sejam conhecidos como “escada aos céus”, onde oferendas são depositadas. Numa cultura marcada pela religiosidade e rituais, não poderia ser diferente o simbolismo dessas plantações.

05
fev 2012

A força dos mantras

Vida agitada, atividades que se acumulam e sensação de que o dia deveria sim ter mais de 24 horas. Para quem leva uma rotina assim, parar um pouco e relaxar o corpo e a mente são tão necessários quanto o ar que respiramos. Originados nos livros sagrados indianos há 3000 a.c., os mantras podem auxiliar nessa tarefa. E aqueles que vivem um dia a dia sossegado também podem desfrutar dos benefícios dessas vibrações sonoras.

A função primordial dos mantras é proporcionar a quietude dos pensamentos, o que está explícito na combinação das sílabas da própria palavra (Man = mente / Tra = liberação), na tradução do sânscrito, um dos idiomas oficias da India. As frases ditas ou cantadas repetidas vezes atraem energia positiva, ajudam a meditar e ampliam a percepção. Além disso, estão associadas a alívio e calma, ânimo e alegria. Existem mantras específicos para cada finalidade. Um dos mais conhecidos, leva a uma respiração profunda e relaxante, pela pronúncia encadeada de Om Mani Padme Hum, em que h tem som de r.

As escrituras antigas, das quais surgiram os milhares de mantras, se referem basicamente a amor, compaixão e bondade, por meio de características dos deuses hindus. Segundo historiadores, pronunciar esses sons corresponde a rezar um pai-nosso ou uma ave-maria no catolicismo. Os mantras têm origem no hinduísmo indiano, mas foram adotados também por religiões como o budismo na própria Índia, na China, Japão e Coréia.

05
fev 2012

Nas águas do Ganges

A busca pela renovação de energias pode aparecer de mil maneiras, sendo forte a relação que se estabelece com a água, como nas praias brasileiras nas viradas de ano, onde se deixa levar tudo de indesejável e só positividade é atraída. Nesse mesmo sentido, na Índia, a tradição das águas repousa no Rio Ganges, considerado sagrado na religião Hindu e adorado por cerca de um bilhão de pessoas.

Acredita-se que este rio purifica a vida e a alma de quem se banha nele. Apesar da poluição, as pessoas entram no Ganges na certeza de limparem seus pecados e terem prosperidade em outras encarnações. Em memória dos mortos, é uma honra ser cremado às margens do rio, como na tradicional Varanasi, cidade com diversos templos situados em torno do percurso das águas. É comum o hábito de armazenar uma porção do Ganges em garrafa e conservá-la em casa, para ser utilizada na cura de doenças ou mesmo para um gole antes da morte.

Aliás, o que diz respeito à vida e à morte convive em harmonia nesse rio que espelha a cultura indiana. Juntamente com a movimentação de corpos, pessoas tomam banho, lavam roupas, escovam os dentes e animais, vivos ou não, também podem ser vistos na água. Além disso, redes de esgoto desembocam no local. Mas ainda assim, a força de uma crença não impede este lugar tão insalubre de ser um dos ícones de peregrinação do mundo. Entre os vinte maiores rios do planeta em fluxo de água, o Ganges nasce no Tibet e atravessa o norte indiano até chegar ao Oceano Índico.

 

05
fev 2012

Ano Novo em Bali

Festa, fogos, música e falação fazem parte da celebração do Ano Novo no Ocidente. Mas enquanto badalações de todo tipo são comuns por aqui, em Bali, na Indonésia, encontra-se o oposto: ao invés do barulho, o silêncio. Isso mesmo, saudar o ano que está por vir para balineses é um exercício de reflexão, reserva e quietude.

Diferente do calendário gregoriano, adotado pelos países ocidentais, a entrada de um novo ano em Bali acontece em março ou abril, sendo a data exata definida conforme o ciclo da lua em relação ao equinócio de primavera. Calendários lunares são utilizados pelos balineses, que determinam não somente o ano novo, como também outras celebrações, cerimônias e adorações religiosas.

O primeiro dia do ano é chamado Dia de Nyepi, que significa Dia do Silêncio. Nesta data, as restrições são severas, pois além de falar, é proibido realizar atividades normais diárias, como trabalhar, acessar meios de comunicação e transitar nas ruas, seja a pé ou em veículos, o que é assegurado pelos pecalangs, tradicionais seguranças da região. Além disso, durante a noite, as luzes devem ser reduzidas ao máximo.

Segundo a crença, tais procedimentos são necessários no Nyepi para que a ausência de luz e movimento na ilha engane as forças do mal, que então procuram vagar por outros lugares. Assim, a nova fase da vida começa limpa e controlada, repleta de paz e sorte.

Embora a prática do Dia do Silêncio seja isenta para os hotéis, turistas que estejam em Bali nessas 24 horas são convidados a respeitar a tradição, regressando aos quartos e fechando as cortinas ao cair da noite, para evitar a passagem de luz.

Três dias antes do Nyepi, acontece o Melasti, dia dedicado a limpar a natureza e se beneficiar da vitalidade do mar, lagos e rios, por meio de cerimônias cheias de cores, com figuras de monstros feitas de bambu, simbolizando espíritos malignos que devem ser expulsos da ilha. Em seguida, Tawur Kesanga é o nome dado ao dia que antecede o silêncio, quando muito barulho é produzido para exorcizar forças do mal, ao toque de gongos e tambores em ruídos assustadores.

Enfim, o Dia do Nyepi chega! E junto com ele, a proposta de agradecimento ao ano que passou e de um mergulho interior para melhorias no novo clico. Que neste fim de ano, todos busquem um momento de Nyepi em suas vidas. Não sendo por um dia, que seja por um minuto. Se for profundo e sincero, os benefícios serão incalculáveis!

FELIZ 2012 !!!

23
dez 2011

O Natal na India

Presentes de Natal

Decoração, comidas e rituais de Natal também estão presentes na India, apesar de o nascimento de Cristo ser comemorado em menor escala se comparado ao Brasil, que é o maior país católico do mundo em termos absolutos (cerca de 145 milhões de pessoas), segundo dados de 2009. Na cultura indiana, os costumes natalinos variam conforme a região, sendo comum enfeitar bananeiras e pés de manga, cujas folhas são usadas também para decorar casas, além de lâmpadas feitas de argila.

Sanna

Em alguns locais, faz-se jejum, já em outros, celebra-se o 25 de dezembro comendo sanna, um pão de arroz e coco servido com molho apimentado de fígado e carne de porco, chamado sorpatel. Essa combinação é encontrada no estado de Goa, que foi colônia portuguesa e tem uma das maiores populações cristãs da India. Doce de leite e maçã caramelada também são consumidos no Natal indiano, que inclui alimentos na troca de presentes, como nozes e frutas secas.

Bananeira de Natal

 

 

Aos amigos do Blog Balisun,

Shub Christus Jayanti !!!

Feliz Natal !!!

 
 

 

  

 

 

08
dez 2011

Entre alianças brasileiras e cordões indianos

Enquanto no Brasil o símbolo do casamento são as alianças, na India uma série de adornos são indispensáveis para oficializar uma união, especialmente usados pela noiva. Pela exuberante indumentária, eles representam a celebração da vida e da divindade. A peça mais tradicional é o cordão chamado de mangalsutra, que significa colar próspero e abençoado. Feito de mais de 100 linhas de algodão trançadas e pintadas de amarelo, o adereço só pode ser retirado em caso de morte do marido.

As jóias são supervalorizadas na India. Ao se casar, a noiva é presenteada com metais variados e, de acordo com a casta, o ouro predomina, simbolizando Lakshmi, a deusa do poder feminino. Diferente daqui, em que os bens do casal são administrados por termos de comunhão, por lá o único bem pertencente à mulher após o casamento são as jóias recebidas da sua família. Assim, se acontece o divórcio, ela somente tem direito de levá-las consigo, ficando todo o restante para o marido.

mangalsutra

mangalsutra

Na infelicidade de uma viuvez, a mulher deve deixar de usar os adereços, passando-os para as filhas. No calendário, outra diferença. Ao invés de maio, os meses de março e setembro é que são considerados tempos de noiva, quando cresce o movimento nas joalherias. Depois do cordão = mangalsutra, as peças mais usadas pelas indianas no casamento são: nath = brinco de nariz, bor = enfeite na testa e paizeb = tornozeleira com sininhos.

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