A busca pela renovação de energias pode aparecer de mil maneiras, sendo forte a relação que se estabelece com a água, como nas praias brasileiras nas viradas de ano, onde se deixa levar tudo de indesejável e só positividade é atraída. Nesse mesmo sentido, na Índia, a tradição das águas repousa no Rio Ganges, considerado sagrado na religião Hindu e adorado por cerca de um bilhão de pessoas.
Acredita-se que este rio purifica a vida e a alma de quem se banha nele. Apesar da poluição, as pessoas entram no Ganges na certeza de limparem seus pecados e terem prosperidade em outras encarnações. Em memória dos mortos, é uma honra ser cremado às margens do rio, como na tradicional Varanasi, cidade com diversos templos situados em torno do percurso das águas. É comum o hábito de armazenar uma porção do Ganges em garrafa e conservá-la em casa, para ser utilizada na cura de doenças ou mesmo para um gole antes da morte.
Aliás, o que diz respeito à vida e à morte convive em harmonia nesse rio que espelha a cultura indiana. Juntamente com a movimentação de corpos, pessoas tomam banho, lavam roupas, escovam os dentes e animais, vivos ou não, também podem ser vistos na água. Além disso, redes de esgoto desembocam no local. Mas ainda assim, a força de uma crença não impede este lugar tão insalubre de ser um dos ícones de peregrinação do mundo. Entre os vinte maiores rios do planeta em fluxo de água, o Ganges nasce no Tibet e atravessa o norte indiano até chegar ao Oceano Índico.















